ALISSON OLIVEIRA
11/09/2025 - 14:08
O Governo de Mato Grosso determinou a proibição do empresário Merson Valério Beatriz de acessar qualquer dependência da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat). A medida foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (11) e atende a decisão da juíza Fernanda Mayumi Kobayashi, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Capital, responsável por autorizar a 2ª fase da Operação Poço Sem Fundo.
O empresário foi alvo de mandado de busca e apreensão na ação deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) na última quarta-feira (10). Além da restrição de entrada na Metamat, ele está proibido de manter contato com outros investigados, precisou entregar o passaporte e terá de comparecer mensalmente em juízo.
As investigações apontam que um grupo criminoso se instalou na Metamat a partir de 2020, fraudando contratos para perfuração de poços artesianos em comunidades rurais. Auditorias realizadas pela Controladoria Geral do Estado (CGE) revelaram desvios superiores a R$ 22 milhões entre 2021 e 2023, com casos de poços inexistentes, mal executados ou construídos em locais impróprios, como áreas privadas, garimpos e até granjas.
Na segunda fase da operação, foram cumpridas 13 ordens judiciais, incluindo sequestro de imóveis, veículos e bloqueio de valores equivalentes ao prejuízo estimado. A primeira etapa, deflagrada em maio, já havia atingido seis empresas e 24 pessoas físicas, entre elas 16 servidores e ex-servidores públicos, resultando na suspensão de pagamentos do Estado e na proibição de novas contratações com o poder público.
O Judiciário determinou a realização de novas auditorias para apurar o impacto de cada contrato fraudado e investigar se houve direcionamento nas contratações. O esquema, segundo a Polícia Civil, comprometeu diretamente o fornecimento de água para comunidades carentes de Mato Grosso.
