Sexta-feira, 10 de abril de 2026

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Notícias Judiciário

DECISÃO JUDICIAL

Empresária condenada por tráfico cumpre prisão domiciliar para cuidar dos pais idosos

 

 

 A empresária Thaysa Lucas, condenada por tráfico de drogas e associação para o tráfico, cumpre pena em prisão domiciliar desde março deste ano para cuidar dos pais, ambos com mais de 70 anos. Thaysa havia sido presa em dezembro de 2024 e, segundo a Justiça, integrava de forma estável e coordenada o esquema criminoso, atuando especialmente no financiamento das atividades ilícitas.

 

Ela foi sentenciada a 18 anos e seis meses de prisão pelo juiz Douglas Bernardes Romão, da 1ª Vara Criminal de Barra do Garças. O magistrado manteve a prisão domiciliar, mas negou a possibilidade de recorrer em liberdade. Thaysa é irmã do empresário Flávio Henrique Lucas, apontado como líder do esquema e condenado a 21 anos de prisão, e cunhada da cirurgiã-dentista Mara Kenia Dier Lucas, também sentenciada a 21 anos. Ambos estão presos desde maio do ano passado, após a Operação Escamotes, deflagrada pela Polícia Federal.

 

A prisão preventiva de Thaysa havia sido decretada em 12 de dezembro de 2024, atendendo a pedido do Ministério Público Estadual para garantir a ordem pública e a instrução criminal. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça alegando a necessidade de cuidados com os pais idosos. A concessão da domiciliar incluiu uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento integral em casa, comparecimento obrigatório a atos processuais, proibição de contato com outros réus e acompanhamento psicossocial mensal. Relatórios de monitoramento devem ser apresentados a cada 15 dias.

 

Segundo a sentença, Thaysa atuava como financiadora do tráfico em parceria com o irmão e a cunhada. O esquema consistia na importação de drogas da Bolívia para Cuiabá, de onde eram distribuídas para outros estados, como Goiás e Bahia, utilizando veículos alugados com fundos falsos preparados em funilarias ligadas à quadrilha. Durante interrogatório, Thaysa negou participação direta no tráfico, afirmando que mantinha apenas relações comerciais com o irmão e a cunhada, restritas à compra e venda de veículos.

 

O juiz, entretanto, afirmou que a versão da empresária não se sustentou diante de provas técnicas, testemunhais e dados extraídos de celulares e nuvens. “Thaysa não era uma figura periférica ou ocasional, mas integrava o grupo de maneira estável e coordenada, participando das atividades relacionadas especialmente ao financiamento do tráfico, notadamente evidenciado por vultosas transferências bancárias, uma delas no valor de R$ 200 mil realizadas em favor da cunhada Mara. Valor esse que teria sido usado para custear despesas operacionais do tráfico, como aluguel de veículos, viagens de transportadores, diárias de hospedagem e pagamento de honorários advocatícios de integrantes presos”, registrou a sentença.

 

O caso segue sob monitoramento judicial rigoroso.

 
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