Terça-feira, 21 de abril de 2026

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MPE recorre contra absolvição de réu confesso por crimes ligados ao assassinato de Renato Nery

MPE recorre contra absolvição de réu confesso por crimes ligados ao assassinato de Renato Nery

Foto: Midianews

 

O Ministério Público Estadual (MPE) ingressou com recurso para reverter a decisão que absolveu o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva das acusações de fraude processual e abuso de autoridade. Alex é réu confesso do homicídio do advogado Renato Nery, morto em julho de 2024, em Cuiabá.

A decisão questionada foi assinada pelo juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal, que considerou as acusações improcedentes. Segundo o magistrado, Alex não poderia responder por abuso de autoridade, já que não é agente público. O MPE, porém, argumenta que a lei prevê coautoria ou participação, lembrando que Alex teria agido em conjunto com o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, utilizando informações privilegiadas para executar o crime.

No recurso, o Ministério Público também contesta a absolvição pela fraude processual. O juiz entendeu que Alex queimou roupas e capacete usados no assassinato apenas em um ato de autodefesa, mas os promotores afirmam que ele foi além: trocou de celulares diversas vezes, monitorou o andamento da investigação e agiu para confundir os órgãos de apuração. Para o MPE, tais condutas configuram tentativa clara de induzir a erro a Justiça.

Apesar da absolvição parcial, Alex continua pronunciado a júri popular por homicídio qualificado, com agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa da vítima, idade avançada de Nery e participação em organização criminosa. O juiz também manteve sua prisão preventiva.

O PM Heron Vieira, apontado como mentor do assassinato, também será julgado por homicídio qualificado e participação em organização criminosa. As investigações da DHPP indicam que ele convenceu Alex a executar o crime mediante pagamento de R$ 200 mil.

Renato Nery, de 72 anos, foi alvejado na cabeça em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O crime teria sido encomendado pelos empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bentos, presos em maio deste ano.

 O casal mantinha uma disputa judicial com o advogado pela posse de terras avaliadas em mais de R$ 30 milhões em Novo São Joaquim, recebidas por Nery como pagamento de honorários.

 
 
 
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