A defesa do ex-procurador da Assembleia Legislativa, Luiz Eduardo Figueiredo Rocha e Silva, preso pelo assassinato de Ney Müller Alves Pereira, em Cuiabá, protocolou um recurso pedindo a anulação da decisão que o levou a júri popular. O pedido é fundamentado em um novo laudo pericial produzido a partir de um vídeo do crime, que, segundo os advogados, teria sido “omitido” das investigações oficiais.
O material, analisado por um perito contratado, mostra o momento em que o ex-procurador reduz a velocidade do carro e a vítima corre em direção ao veículo, sendo atingida em seguida. Para a defesa, a gravação comprova que não houve crime qualificado, mas sim uma reação instintiva de Luiz Eduardo diante de uma suposta ameaça.
No documento, os advogados afirmam que a decisão de pronúncia está “carente de fundamentação” e desconsiderou os argumentos apresentados pela defesa. Além da anulação do processo desde a fase de instrução, eles pedem que as provas digitais sejam desentranhadas por quebra da cadeia de custódia e que as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima sejam excluídas, restando apenas homicídio simples.
Segundo o laudo, após o disparo, Ney ainda avança antes de cair no meio-fio, em movimento descrito como compatível com uma corrida interrompida bruscamente. O perito concluiu que a reação do ex-procurador se encaixaria em um “instinto de autopreservação”.
O crime ocorreu em 9 de abril, na Avenida Edgar Vieira, próximo à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o morador de rua foi morto com um tiro na cabeça, fato que gerou forte comoção social.
Luiz Eduardo admitiu ter atirado, mas sustenta que sua reação foi motivada pelo comportamento agressivo da vítima, que momentos antes havia depredado veículos, incluindo sua Land Rover. Para a Polícia, no entanto, o procurador perseguiu Ney após o episódio e atirou contra ele de forma intencional.
O recurso agora será analisado pela Justiça, que decidirá se acolhe ou não os pedidos da defesa. Enquanto isso, o júri popular segue marcado, mantendo o ex-procurador como réu por homicídio qualificado.






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