A Prefeitura de Cuiabá deve publicar, nos próximos dias, um decreto de alerta financeiro voltado exclusivamente para a Secretaria Municipal de Saúde. O prefeito Abilio Brunini explicou que a medida é preventiva e busca chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a gravidade da situação fiscal enfrentada pelo município, que pode encerrar 2026 com um déficit estimado em R$ 364 milhões, dos quais R$ 120 milhões apenas na área da saúde.
De acordo com Abilio, o desequilíbrio é resultado de práticas fiscais adotadas pela gestão anterior, que ainda comprometem as contas municipais. “Estamos chegando ao limite. Só na saúde, temos um déficit mensal de cerca de R$ 7 milhões entre o que arrecadamos e o que precisamos gastar. Ainda assim, continuamos investindo e mantendo todos os serviços. Mas precisamos de uma sinalização clara de que a situação é crítica”, declarou.
O decreto de alerta financeiro difere do de calamidade pública, pois não flexibiliza regras de contratação, não dispensa licitação e não altera a rotina legal da administração. Ele funciona como uma comunicação oficial de que há risco de a Prefeitura não conseguir arcar com todos os compromissos até o fim do ano, caso não haja apoio externo. O objetivo é organizar prioridades, buscar soluções administrativas e pressionar por auxílio do Governo do Estado e da União antes que o quadro se agrave.
Abilio destacou que, apesar do fim do decreto de calamidade que vigorou até meados de 2025, os problemas estruturais herdados continuam, como contratos antigos, dívidas sem cobertura orçamentária e previsões de gastos subestimadas. Mesmo assim, a administração garante que não haverá demissões de profissionais da saúde. A Prefeitura cumpre um Termo de Ajustamento de Conduta para encerrar vínculos precários, mas já abriu um novo processo seletivo emergencial para substituí-los de forma mais econômica e transparente.
Entre os avanços recentes, o prefeito citou a conclusão do Centro Médico Infantil, a entrega de um novo aparelho de ressonância magnética no Hospital São Benedito, o investimento de R$ 59 milhões em medicamentos e os chamamentos para reforço no quadro de profissionais da saúde.
Abilio ainda ressaltou que mantém diálogo com o Governo do Estado e a bancada federal de Mato Grosso em busca de novas emendas parlamentares e recursos federais. “Sem esse reforço financeiro, fica cada vez mais difícil manter a qualidade dos serviços. Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance com recursos próprios, mas a ajuda externa é essencial para virar esse jogo”, concluiu.